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sábado, 1 de dezembro de 2012

O feriado do 1º de Dezembro


Artigo de opinião
inauguração do monumento aso Restauradores no 1º de Dezembro de 1886

O Feriado do 1º de Dezembro é o feriado fundador, é o "feriado dos feriados". Deixando de parte, pela sua universalidade, o 1º de Maio, dos feriados civis (ou políticos) portugueses, o 1º de Dezembro é, por várias razões, o mais importante feriqado civil ou "político". Não se querendo extremar as coisas até criar uma "hierarquia dos feriados", pode dizer-se, contudo, que há feriado a 10 de Junho porque houve antes a 1ª Comissão Central do 1º de Dezembro, convertida ou vertida na Sociedade Histórica-SHIP de 1868 e que desde a sua fundação e nas décadas seguintes desenvolveu uma considerável obra no âmbito da cultura, património, língua e identidade, soberania e independência nacionais.

O Feriado do 1º de Dezembro não comemora apenas a data de uma ruptura - ou tentativa de ruptura - na ordem política, como foi o caso dos feriados já extintos de 31 de Janeiro e 28 de Maio ou ainda é o caso do 25 de Abril, feriados que  (não obstante o autor desta opinião ser um acérrimo defensor dos valores de Abril), são sempre susceptíveis de substituição pela data da ruptura seguinte.

""Objecto, Pessoas e sociedade"
O Feriado do 1º de Dezembro nunca foi celebrado contra a Espanha. O 1º de Dezembro é o feriado que celebra os valores integrados de Soberania, Independência e Identidade, é o feriado que celebra a maturação do constitucionalismo português e é também o feriado que celebra os seus "pré-fundadores", a sua obra, a sua visão e o seu contributo para uma sociedade mais esclarecida, mais mutualista e menos desigual; o primeiro de Dezembro é, por isso, também o feriado que celebra Braamcamp, Alexandre Herculano, Brito Aranha, Serzedello Júnior, José Estevão, Silva Túlio, Mendes Leal, Fernandes Tomás, Duques  de Ávila e de Loulé, Sá da Bandeira e ainda dezenas de outros pares seus que marcaram generosa, abnegada e desinteressadamente a vida económica, cultural, associativa, administrativa e política do séc. XIX, a geração que também viria a ser, de alguma forma, a precursora dos principais feriados que ainda hoje comemoramos, desde o  5 de Outubro até ao 10 de Junho; e através desta geração, o 1º de Dezembro é ainda o feriado do esclarecimento e crescimento das classes laboriosas, da emancipação social, das associações de classe e do associativismo em geral (ver abaixo Instituições presentes na inauguração do monumento a Luís de Camões em 9 Out 1867). 

"Legitimidade"
Nem o feriado do 1º de Dezembro nasceu no decreto de 12 de Outubro de 1910 (o decreto que "decreta" os feriados civis portugueses), nem o impulso para as celebrações da Restauração nasceram num gabinete. O 1º de Dezembro nasceu na rua,  pelas mãos de um comerciante (Feliciano de Andrade Moura), vindo a congregar em torno de si e dos valores que celebra uma rápida e verdadeira adesão nacional. A eleição dos 40 membros (de novo os 40 conjurados) da 1ª Comissão Central decorreu do voto secreto de mais de 3000 cidadãos em 1861. O equivalente nos dias de hoje a bem mais que “cinquenta mil assinaturas”. E também por isso, o feriado do 1º de Dezembro continuará a ser, porventura, o mais sufragado (logo, legitimado) de todos os nossos feriados civis.

"retrocesso histórico"
Pretender "abolir" o feriado do 1º de Dezembro revela não só ausência de identidade e a ignorância do que são os tais "valores plurais" da Soberania, da Independência e da Identidade, mas também a grosseira ingratidão e falta de respeito de uns quantos pelas referidas dezenas de pares que revolucionaram desde o séc. XIX a sociedade portuguesa. Querer extinguir o feriado do 1º de Dezembro é não só desconhecer e negligenciar a História mas também revelar uma alarmante cultura anti-democrática. Em bom rigor, o feriado do 1º de Dezembro fará já parte, porventura, da Reserva Material da nossa Constituição. por um lado, e por outro, nenhum Governo terá legitimidade par abolir o mais sufragado e histórico dos feriados portugueses. Atenta a forma como o povo instalou este feriado a partir de 1861, apenas O Povo, pela via do Referendo, poderá decidir o seu destino e tanto a SHIP como os demais movimentos a ela unidos em torno desta ameaça deveriam demandar o Tribunal competente para impedir a concretização de tal ilegitimidade".

Virgílio S.O.

A construção da Identidade e dos feriados civis
Assinaturas
 = Joaquim Pedro de Sousa.
EL-REI D. LUIZ = REI D, FERNANDO = DUQUE DE COIMBRA = Joaquim Antonio de Aguiar = João Baptista da Silva Ferrão de Carvalho Mártenâ = Augusto Cesar Barjona de Freitas = Antonio Maria da Fontes Pereira de Mello = Visconde da Praia Grande = José Maria doCasal Ribeiro = João de Andrade Corvo = Conde de Thomar = Conde d 'Avila = Duque de Loulé = Marquez de Sá da Bandeira, conselheiro d'estado e gererail cominandante da escola do exercito = Duque de Loulé, vice-presidente suppleinentar da camara dos dignos pares = Como presidente da camara dos deputados, Antonio Rodrigues Sampaio = O vice-presidente da commissão central dos subscriptores, Francisco de Paula Sant'lago = 0 secretario, Joaquim Pedro de Sousa =Vicesecretario, Luiz Tiburcio Ferreira = Carlos Krus = Antonio José Pereira Serzedello Júniorvogal da commissão central = Antonio da Silva Tulliovogal da commissão centralVisconde de Menezes = José da Silva Mendes Leal, vogal da commissão central = Abbade de Castro, vogal da commissão = Marquez de Sousa Holstein, vogal da commissão = José Pedro Collares Júnior = Visconde de Condeixa= Visconde de Valmor = José Silvestre Ribeiro — Roque = Joaquim Fernandes Thomás=João de Matos Pinto = Francisco Pinto Bessa, presidente da camara municipal
do Porto = Manuel dos Santos Pereira Jardim, presidente da camara de Coimbra = José Joaquim Alves Chaves = José Carlos Nunes = Joaquim José Rodrigues da Camara = Luiz Caetano da Guerra Santos = Nuno Joeé Severo Ribeiro de Carvalho = O vereador da camara do Porto, Alexandre Soares Pinto de Andrade = O vereador da camara do Porto, Antonio Cardoso dos Santos = O vereador da camara do Porto, Antonio Caetano Rodrigues = Antonio Lopes Barbosa de Albuquerque, como representante da camara municipal de Faro = Dr. Raymundo Venâncio Rodrigues, lente da faculdade de mathematica da universidade de Coimbra = D r . José Adolpho Troni, lente de direito = Dr. João José de Mendonça Cortez, lente de direito = Dr. Joaquim José Maria de Oliveira Valle, oppositor em direito = Conde d'Avilavice-presidente dai academia real das sciencias = José Tavares de Macedo = Joaquim Pedro Celestino Soares = Sebastião Lopes de Calheiros e Menezes, director da escola polytecbnica = Conde de Ficalho = Fernando de Magalhães Villas Boas, secretario da escola polytechnica = José Eduardo de Magalhães Coutinho, pelo director da escola medico-cirurgica = Dr. Abel Jordão, lente secretario da escola medico-cirurgica de Lisboa = José Antonio de Arantes Pedroso, lente da escola medico-cirurgica = Dr. Pedro Francisco da Costa Alvarenga, lente da escola medicocirurgica de Lisboa = Luiz Augusto Rebello da Silva, pelo curso superior de letras = Jayme Constantino de Freitas Moniz, peio curso superior de letras = Antonio Maria Barbosa, socio da academia das sciencias, e lente da escola medicocirurgica de Lioboa=João Ignacio Ferreira Lapa, socio effectivo ria academia, lente do instituto geral de agricultura = João Christino da Silva, professor da academia real das bellas artes de Lisboa = Luiz Assencio Tomasini, académico de mérito da mesma academia = Conde dc Thomar (Antonio), vice-presidente da academia promotora das beilas artes = J o s é Ferreira Chaves, viee-secretario da mesma sociedade = Carlos Vizeu da Costa, fidalgo cavalleiro e moço fidalgo com exercício = Luiz Filippe Leite, director da escola normal de Lisboa = O presidente da associação dos ourives da prata, Antonio Maria Tavares = O vogal da acima dita, Caetano Felix de Figueiredo = D. Luiz da Camara Leme, socio correspondente da academia das sciencias = Francisco Vieira da Silva, presidente do centro promotor dos melhoramentos das classes laboriosas = Antonio José Freixão Coelho, presidente da associação dos empregados do commercio c industria, e pelo asylo de S. João = Antonio da Silva Bello,vice-presidente da associação dos empregados no commercio industria, servindo de presidente e representando a mesma associação = José Thomás Salgado, presidente dos alumnos Minerva = Joaquim Luiz Ferreira, secretario da associação dos empregados no commercio e industria = José 1.° vice-secretario da associação dos empregados no commercio e industria = Antonio Maria Antunes, presidente associação dos latoeiros de folha branca = Mathias José Coelho, secretario dos latoeiros de folha branca = Antonio Ignacio de Jesus e Silva, presidente honorário da associação fraternal dos barbeiros, amoladores e cabelleireiros = Antonio José Guilherme Parreiras, presidente da assembléa geral da mesma associação = José Antonio Godinho, actor do theatro da rua dos Condes = Manuel Maria Soaras, idem = Francisco Antonio Lopes de Abreu, peio monte pio dos actores = Pedro Wenceslau de Brito Aranha, pelo Archivo Pittoresco = Domingos Pedro de Alcantara, de Meira Barbosa = João Francisco Júnior presidente da mesa da associação de trabalho para os fabricantes de seda = Antonio Thomás de Sousa, presidente da associação dos marceneiros lisbonense» = Francisco Antonio de Almeida =-José Joaquim Rato, vice-presidente da associação das classes laboriosas.


domingo, 10 de outubro de 2010

Editorial

"E colocadas estas, impõe-se colocar a questão sobre a mais intrigante das omissões ou ausências:

- Chegando a ser durante o séc. XIX os Serzedello (e em gande medida, os que ainda foram baptizados na pia Baptismal da Igreja de São Pedro de Serzedelo) uma das mais prósperas e aristocráticas famílias de Lisboa e tenham feito sucessivos casamentos com as demais famílias do séc. XIX, portuguesas ou estrangeiras cujos nomes cujos chegaram até aos nossos dias (Braancamp, Pinheiro Chagas, Brito Aranha, Iglésias, etc.), o mesmo acontecendo em boa medida no Rio de Janeiro a partir de 1830-1840 (o princípio das construções da comercial e próspera Rua do Ouvidor da activa baixa comercial carioca é empreendimento de um Serzedello iniciado por volta de 1830); sendo igualmente reputados de empreendedores, generosos, filantrópicos, empenhados no melhoramento das pessoas e dos lugares, como explicar que nada tenham feito na ou pela Póvoa de Lanhoso e que aí nada tenham deixado de seu para a história local?..."
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Nota técnica:
Com excepção do "Editorial", todas as datações são apócrifas; usar-se-á a data como um ordenador-indexador afim de manter agrupadas as publicações por épocas e temas. Pretendendo-se que este blog seja, sobretudo, um repositório, a datação é utilizada como forma de ordenar arbitrariamente as ditas publicações.
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Criar um Blog  sobre "Os Serzedello" quando qualquer um de nós,  na geração dos seus trisavós, já conta com 16 trisavós (e este número de avós duplica a cada geração mais que se recua) e outras tantas famílias distintas e igualmente "desconhecidas" umas das outras, pode parecer forçado ou obsessivo. Contudo - e apesar de não ser caso único na história da genealogia e patronímica portuguesas - há algumas peculiaridades nos "descendentes" deste apelido que poderá justificar este trabalho:

       - Os que exercem influência empresarial, económica, associativa, política e social até à década de 60 de oitocentos ainda são todos oriundos da Póvoa de Lanhoso e nascidos no então "Couto de Serzedello", concelho de Ribeira de Soaz (hoje S. Pedro de Serzedello, Póvoa de Lanhoso);

     - A assunção do apelido Serzedello não é local, não acontece no assento de nascimento,   mas acabaria por ser sucessivamente assumida por vários ramos e gerações ao ponto de vir a ser um verdadeiro passaporte social e económico durante cerca de 200 anos em Lisboa ou no Brasil;
    - Parecer haver a "olhar" para a atribuição deste e dos demais apelidos (Pereira e Vieira) um laivo de matriarcado porque são desde o início de 700 os apelidos das mães e foram os que os que ao longo de pelo menos 10 gerações (e 3 séculos) predominaram em grande parte das gerações mesmo quando continuam a ser os das mães e quando não predominam, teimam em manter-se lá (ainda que esta nuance possa ser explicada pela função passaporte);

   - Ao longo dos Séculos XVIII, XIX e princípios do séc. XX os Serzedello não são - salvo raras e muito pontuais excepções como será o caso dos António José e José António e dos seus júniores - progenitores de proles pequenas, pelo contrário, abundam as descendências familiares que contam seis, sete, oito (e até dez) filhos. Naturalmente que tantos rapazes e raparigas casaram com muitos outros rapazes e raparigas que trouxeram para juntar aos primeiros os seus próprios patronímicos, mas em grande parte desses casamentos, mesmo quando estes tomavam a cauda do nome, a meio mantinha-se teimosamente o Serzedello, assim resultando nos apelidos Serzedello Netto, Serzedello de Almeida, Dentinho Serzedello de Almeida, (um exemplo curioso e ilustrativo é o de Alice Carmen Neto Pereira Serzedelo Higgs de Almeida - fins do séc. XIX, filha de Carlota Augusta Neto Pereira Serzedelo e de Joaquim José d' Almeida) Serzedello do Nascimento, Serzedello Palhares e outras conjugações. Data desta altura uma das excepções conhecidas, a de Heitor Villa-Lobos[1], cujo sobrenome predominante seria o de seu pai (Silveira Villa-Lobos, açoreano) e não o da mãe (Pereira Serzedello). Ora foram também esses sobrenomes (ou apelidos) os que passaram para os seus filhos e filhas desde o séc. XVII até ao Séc. XXI, de tal forma que quando quando olhamos para o apelido Serzedello - e são ainda inúmeros os Serzedelo ocultos, isto é, os ramos familiares Serzedelo onde o sobrenome desapareceu nas sucessivas gerações! - na quarta, sexta ou oitava geração anterior de cada um de nós, não estamos a olhar apenas para um dos tais 16, 32 ou 64 avós mas sim para um autêntico chapéu de chuva que foi abrigando vários desses hepta, penta e trisavós à medida que deram o braço aos/às Serzedello, manifestação que entrando ainda, como se disse, pelo séc. XXI adentro, seriam razão bastante para procurarmos perceber e explicar este fenómeno patronímico.

Por outro lado - e como nota de densidade e riqueza históricas - são de notar ainda os seguintes aspectos,

   - O facto de apesar de ir sofrendo a dispersão geográfica normal - e muito particularmente naquela época, a da segunda grande vaga de idas para o Brasil estimulada pela "fuga" da Família Real - ao longo das gerações seguintes a esmagadora maioria dos indivíduos dessas várias gerações se terem, em boa medida, reunificado num território quer físico, quer afectivo quer até profissional e económico: tanto em Portugal como no Brasil, os Serzedellos estão, ao longo do séc. XIX, tão e em tal número dedicados ao negócio químico-farmacêutico que  poder-se-ia arriscar dizer que pelo menos ao longo desse século, o apelido Serzedello, em Lisboa, no Rio de Janeiro, no Paraná, em Pernambuco ou até no Pará, significa "química/químicos e farmácia";

   - o pioneirismo desta (vasta) família no desenvolvimento químico e tecnológico daquele século, o Laboratório-fábrica da Margueira dos irmãos Serzedello (a Serzedello & Cia) que terá sido o maior laboratório do género até ao fim do referido século, levando, com os seus pares industriais e comercias de então, a destacadas presenças em várias exposições universais da segunda metade do século XIX, com destaque para a de Filadélfia em 1876;

   - o facto de serem progressistas ao longo de várias gerações, Constitucionalistas contra o Cartismo (José António Pereira Serzedello integrava em 1822 o grupo de subscritores de um manifesto constitucionalista e integrava a "Sociedade Histórica Constituição"), Setembristas contra o Cabralismo  (António José Pereira Serzedello e o filho AJP Serzedello Júnior eram Setembristas indefectíveis, sendo este último amigo pessoal de Rodrigues Monteiro e tendo sido também director-interino do seu "Revolução de Setembro");

    -  Terem estado envolvidos, em paralelo com as suas actividades empresariais de comércio e comércio marítimo, navegação e transporte marítimo de pessoas e bens, indústria (Serzedello & Companhia, Fábrica de Fiação e Tecidos Lisbonense e outras), banca (Banco de Lisboa e Banco de Portugal, Caixa de Crédito do Rio de Janeiro),  na actividade político-administrativa (actividades que ao tempo, e a bem da ética, não eram remuneradas):
                 a) José António Pereira Serzedelo foi Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, b) o irmão António José Pereira Serzedelo foi Vereador da mesma Câmara e deputado das Cortes,  c) o seu filho António José Pereira Serzedelo Júnior foi igualmente vereador da Câmara Municipal de Lisboa, além de ter integrado várias comissões político-administrativas, merecendo destaque a Direcção Geral das Alfândegas (que, pelo reconhecimento da Nação e do Governo, lhe viria a trazer a Comenda da Ordem de Vila Viçosa);

     - Terem participado empenhada e profundamente no movimento associativo vertical, de pessoas singulares ou colectivas e de interesse profissional, empresarial ou sóciopolitico, sendo várias as Associações que ajudaram a fundar e que dirigiram (Sociedade Histórica Constituição, Sociedade Promotora do Esclarecimento das Classes Laboriosas, Ass. dos Emp Comércio, Assoc. Comercial de Lisboa, Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP.PT) Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL.PT), etc.;

     - Terem sido, com os seus pares, promotores do ensino nocturno para as classes trabalhadoras mas também de uma visão activa de responsabilidade social das empresas, criando ligo a partir de meados do séc. XIX bairros operários integrando escolas, cheches e enfermarias, sendo a caso da Fabrica de Fialção de Tecidos Lisbonense o mais interessante de estudar porque terá sido a primeira a edificar bairros operários integrando escolas e enfermarias; Manuel Joaquim Pinheiro Chagas (pai e tio de outro Pinheiros Chagas também conhecidos), professor, jornalista e político do séc. XIX foi um dos professores dessas escolas;

     - terem tido ainda participação intelectual activa nas matérias sócio-políticas do seu tempo, e mais particularmente o AJPS Júnior, que viria a publicar "doutrina" em matéria de regulação bancária (princípios da emissão de papel-moeda e e circulação fiduciário) e de Economia Política: Foi conferencista e membro activo da Sociedade Promotora do Esclarecimento das Classes Laboriosas, além de estar com os seus pares da época, na 1ª Comissão Central do 1º de Dezembro (e do início da comemoração oficial da data da Restauração) e mais tarde da Sociedade Histórica Independência de Portugal (www.ship.pt) e ainda da Sociedade de Geografia de Lisboa (www.sgl.pt), na parceria de  homens definidos por biografistas da época como a nata intelectual da sociedade portuguesa e que os Serzedelo juntamente com Herculano, Braancamp, Pinheiro Chagas, António Augusto Aguiar, Brito Aranha, Silva Túlio e muitos outros, integravam;

       -  o seu papel doutrinador e referenciador na banca portuguesa,  desde o Banco de Lisboa (fundado em 1821/1822) até à fundação e Direcção do Banco de Portugal (que resulta da fusão do Banco de Lisboa com a casa bancária Confiança em 1847) e que sendo um banco tão igualmente privado quanto os demais, pouco depois da sua fundação era o maior banco português e o banco de referência; a direcção dos Serzedello (com os demais pares, naturalmente) durou 28 anos (AJP Serzedello pai de 1850 a 1872 e o AJP Serzedello Júnior de 1873 a 1878) e é uma direcção que marca o Banco de Portugal, quer em termos do seu crescimento, quer da aquisição da identidade proba que fez dele o banco de referência, o que teria como consequência que décadas mais tarde passasse a ter a exclusividade de emissão de moeda; sendo AJP Serzedelo Júnior favorável a uma certa liberalização/liberdade bancária desde que se respeitassem princípios sérios de emissão e circulação a bem da fidúcia das notas, depois de estudos e publicações avulsas, viria a publicar um documento doutrinário/doutrinador rapidamente "assimilado" pelo universo da economia, banca e finanças europeu ("os bancos e os princípios que regem a emissão e circulação das notas");  

      - o facto de haver pelo menos três indivíduos Pereira Serzedello distinguidos com nomeações da Ordem de Nossa Senhora de Vila Viçosa Padroeira de Portugal: foi atribuída a medalha do Grau de Cavaleiro ao acima referido José António Pereira Serzedello (além da medalha da Febre Amarela) em reconhecimento dos seus serviços humanitários na crise da Febre Amarela por volta de 1850; Foi nomeado Comendador da mesma Ordem o seu sobrinho (também acima referido) António José Pereira Serzedello Júnior, em reconhecimento do seu trabalho aturado e gracioso nas décadas de 60 e 70 do séc. XIX e mormente pela reorganização da tesouraria da Alfandega Portuguesa; Foi ainda nomeado Comendador outro seu sobrinho (e primo e cunhado do Júnior, filho da sua irmã Marianna Cândida), Bento José Barboza Serzedello, natural de Caires, Amares e já estabelecido no Brasil antes dos 30 anos (1860), pelo seu trabalho de cariz social e humanitário em obras sociais (Caixa de SOcorros Mútuos D. Pedro V, Liceo Litherário Portuguez, Venerável OPrdem Terceira da Virgem do Monte do Carmo e outrs) nas mesmas décadas de 60 e 70, no Rio de Janeiro. Em e conformidade existem estes três registos na Academia Farelística Portuguesa: Comendadores António José Pereira Serzedello Júnior e Bento José Barboza Serzedello; Cavaleiro - José António Pereira Serzedello.

             Os Pereira Serzedello não são uma família de "heráldica" e cuja história e cultura familiar se tivesse construído em torno de um couto, senhorio, domínio senhorial, ou similar. Pelo contrário, é uma família proprietários e empresários laboriosos e empreendedores que logo no início do Séc. XVIII se vão separando geograficamente, estando já radicados em Lisboa na segunda metade do séc. XVIII vários indivíduos Serzedello[2]. Sem prejuízo de a cada passo se ter que rever/reeditar este editorial, pela informação recolhida até agora, a diáspora dos Pereira Serzedello começou com os filhos de José Alvares e Josepha Pereira (Serzedello). A Josepha Pereira nasceu em 1685 (1685-1769) no lug de Cimo de Villa, casou em 1710 teve o seu primeiro filho (Domingos Manuel Pereira) em 1711 e em meados de 700 já estão radicados em Lisboa (paróquia de São Paulo) vários indivíduos Pereira Serzedello, embora sejam as duas últimas gerações nascidas no séc. XVIII as que virão a adquirir notoriedade pública em Lisboa, designadamente, João António Pereira Serzedello (neto de Josefa) que tendo nascido ainda na casa de família em Cimo de Villa, Serzedello (27 Jun 1762), na primeira década de 1800 já está estabelecido em Lisboa  como João António Pereira Serzedello & Cia - Drogas e prod. químicos (também por esta altura já está estabelecido em Lisboa um Bento Jos´+e Vieira Sedrzedello que será primo deste)  e em 1822 é um dos fundadores do Banco de Lisboa, banco que marca o início do Capitalismo Financiero em Portugal e logo a seguir e depois de terem sido oficiais militares, os sobrinhso deste, António José, António Joaquim e  José António Pereira Serzedello, filhos da sua irmã Maria Josepha Pereira Serzedello, todos nascidos nas duas últimas décadas do séc. XVIII no Couto de Srzedelo (hoje, São Pedro de Serzedello, Póvoa de Lanhoso).  Juntos criaram em 1822 a Serzedello & Cia, uma empresa (Laboratório-Fábrica) de química e farmácia que viria o ser o maior do séc. XIX, tendo durado cerca de um século e no qual terão trabalhado 5 gerações Serzedello. Na mesma altura, uma irmã daqueles, Marianna Cândida, casava para Amares, também no Norte do País, com um Barboza que já tinha negócios no Brasil, e deste ramo familiar sairiam ainda duas gerações de empresários que foram sucessivamente para o Brasil e para o mesmo negócio dos químicos e farmácia, aí se radicaram, destacando-se (no ramo dos químicos e da farmácia) - além de outros - o seu filho Bento José Barboza Serzedello que aos 17 anos de idade já estava no Brasil e em 1850 já era um industrial e comerciante nessa mesma área, e pelo menos um dos seus netos (e sobrinho daquela) Arthur Vieira Barboza Serzedello (farmacêutico), que logo no início de 900 estava estabelecido na Rua Sr dos Passos, no Rio de Janeiro com um estabelecimento de farmácia e material hospitalar.

Numa época em que não há meios de comunicação que permitam uma comunicação de proximidade ainda que relativa e por outro lado,  qualquer comunicação, indagação, partilha ou desabafo entre os parentes de Portugal e Brasil, por exemplo, teria de contar com um diferimento de pelo menos três a cinco meses na resposta; com uma separação (ou distância) espacial e temporal desta ordem, como explicar a origem destes tiques, preceitos ou determínios, incluindo a atenção, sensibilidade e actividade social que parece ser, em paralelo com as actividades económicas comuns, a outra grande grande marca familiar dos Serzedello (são três os Serzedello distinguidos com Ordens e Comendas no séc. XIX, dois deles primos carnais, um em Lisboa, o outro no Brasil, pelo sua filantropia, serviços/obras sociais e serviços graciosos de interesse público)?...

Ou ainda a filantropia de um Pressler Serzedelo que criou e pagou do seu bolso o primeiro jardim zoológica do Manaus?... Como explicar esta filantropia transversal aos vários indivíduos dos vários ramos familiares e de sucessivas gerações se não era pela via de uma comunicação estreita e permanente, porque não havia meios para tanto e tampouco seria ainda marca do apelido Serzedello porque nessa altura (fins do séc. XVIII, início do séc. XIX) o apelido Serzedello não seria ainda um passaporte ou salvo-conduto social e económico, viria a sê-lo, sim, a partir 1830/1840?... Se este "Clube" o não era pela via da comunicação estreita e da "tertúlia" regular, qual poderá ser a sua explicação, a da biogenética, uma de uma cultura transgeracional oitocentista que afecta tanto estes como os demais pares do seu tempo?...

E colocadas estas, impõe-se colocar a questão sobre a mais intrigante das omissões ou ausências:

- Chegando a ser durante o séc. XIX os Serzedello (e em grande medida, os que ainda foram baptizados na pia Batismal da Igreja de São Pedro de Serzedelo) uma das mais prósperas e aristocráticas famílias de Lisboa e tenham feito sucessivos casamentos com as demais famílias do séc. XIX, portuguesas ou estrangeiras cujos nomes cujos chegaram até aos nossos dias (Braancamp, Pinheiro Chagas, Brito Aranha, Iglésias, etc.), o mesmo acontecendo em boa medida no Rio de Janeiro a partir de 1830-1840 (o princípio das construções da comercial e próspera Rua do Ouvidor da activa baixa comercial carioca é empreendimento de um Serzedello iniciado por volta de 1830); sendo igualmente reputados de empreendedores, generosos, filantrópicos, empenhados no melhoramento das pessoas e dos lugares, como explicar que nada tenham feito na ou pela Póvoa de Lanhoso e que aí nada tenham deixado de seu para a história local?...

Algumas pistas:
- Os Serzedello nascidos em Serzedello em finais de 700 são são jovens oficiais militares na Lisboa da Revolução Liberal (1820); são Liberais indefectíveis entre os Liberais, são Constitucionalistas contra os Cartistas, são Setembristas contra Cabralistas;

- Tinham, como toda a sua vida demonstra, manifesta costela política; José António, Tenente, é membro fundador da Sociedade Histórica Constituição, um movimento criado "no dia seguinte" à aprovação da Constituição de 1822 e para a defender;

- Sabemos que o principal mentor (e rosto) das reformas administrativas das terceira e quarta décadas era Mousinho da Silveira, Um liberal Cartista que preferiu demitir-se da direcção das alfândegas ou até ser preso e a exilar-se (embora regressasse pouco depois), a jurar a constituição de 1822 (episódio protagonizado em Agosto de 1836) e podem adivinhar-se as tensões entre estas forças e aquelas que integravam os irmãos Serzedello (seriam assim referidos durante boa parte do séc. XIX), que continuavam activos na vida política da "Capital";

- Sabemos que Ribeira de Soaz foi extinto como Concelho, a seguir foi represtinado mas voltou a ser extinto quase imediatamente...

Assim, teriam os Serzedello alguma agenda para Ribeira de Soaz que acabando derotada pelas reformas de Mousinho da Silveira os fez amuar com a Póvoa de Lanhoso?...
...ou tratar-se-à de um caso de abandono e indiferença puro e simples?...

Asiol B Serzedello
Braga, Pt, 2010

[1] - É verdade, Villa-Lobos tem antepassados (tetravós) na póvoa de Lanhoso;
[2] - Embora ainda por validar, há documentos que podem vir a esclarecer se o Cerzedello que surge no Brasil em em meados do séc. XVIII (1759) já é desta família de Serzedellos;

Nota técnica:
As datas destas publicações são completamente apócrifas. Pretendendo-se que este blog seja, sobretudo, um repositório, a datação é utilizada como forma de ordenar arbitrariamente as ditas publicações.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

As "intermitências" do apelido Serzedello - Serzedelo

a Pedro Augusto Serzedelo e como proposta de investigação para responder às suas questões, designadamente,


 "(...) o meu avô chamava-se Antonio Luiz Serzedelo , nao sei os outros sobrenomes; é português. O meu pai chama-se Pedro Luiz Duarte Silva Serzedelo de Almeida" (...)", 1º - porque ha TANTA gente com o sobrenome Serzedelo ou Serzedello, 2º, um amigo do cartório disse-me que muitos simplesmente acrescentam o nome Serzedello sem laços sanguíneos; pedi para ele verificar isso e ele me disse que ha um numero de pessoas com o sobrenome Serzedelo que seus antepassados nao eram Serzedelo, 3º, onde permenece o nucleo da familia, digamos assim, quem é realmente Serzedelo(ll), arriscando respostas mas não conclusões, e atento o facto de que muitos contributos de resposta já estão e outros mais virão a estar nas publicaçãões deste blogue, (sobretudo no que respeita à enorme quantidade de indivíduos Serzedello - Serzedelo),

    -   Serzedello de Almeida e Serzedello Dentinho de Almeida são, de facto, descendentes dos Pereira Serzedello, uns ficaram cá, outros no Brasil. A "prima" (e avó) Manuela Netto Rocha tem este(s) ramo(s) muito bem estudados na sua árvore genealógica que pode ser encontrada tanto no My Heritage como no/a Geni; há muita gente com o sobrenome Serzedello tanto cá como lá porque eram famílias "profícuas", muitos dos descendentes rumaram em força para o Brasil ao longo de mais de um século, onde se foram radicando (os Serzedello não cumprem o padrão do chamado Brasileiro de Torna Viagem) pelo menos ao longo de 80 anos onde, uns atrás dos outros, foram criando os seus negócios. Tamouco acredito que houvesse quem colasse o apelido Serzedello na sua cédula, sem mais, perlo contrário. São muitos os casos de Serzedello - Serzedelo que perderam o apelido e nem temos como saber, apenas se conhecem alguns casos porque publicam a sua genealogia (é o caso da família SIlveira - Villa-Lobos, por exemplo). Estou em crer que os tais Serzedelo que o amigo do Cartório lhe referiu como apossando-se do aplelido sem laços de consanguinidade se increvem nesta explicação abaixo:

As "intermitências" do apelido (ou sobrenome) Serzedello (II):


Datando de 1860/1870 o movimento (e a "sociedade" com esse mesmo nome e desígnio) para a Criação do Registo Civil e que era comum a Portugal e ao Brasil, no Brasil terá conseguido o seu objectivo a partir da 1870/1880 (aliás, em termos de administrativos o Brasil estará desde o séc. XIX uma "época" - 30 a 40 anos - à frente de Portugal) mas em Portugal só após a implantação da República é que os registos respeitantes à população civil deixaram de ser efectuados e "conservados" nos cartórios paroquiais. Por ordem legislativa da "República", a partir de Abril de 1911 passou a existir Registo Civil, conduzindo às Conservatórias como hoje as conhecemos. Até lá, esse "cartório" (nascimentos, casamentos, óbitos, testamentos, etc.) estava exclusivamente confiado à Igreja, sem uma matriz civil e administrativa definida e igual para todo o território, vagamente orientada por duas ou três leis régias em dois séculos e sem outra ou supervisão continuada que não fosse a das Dioceses, prosseguindo essas os interesses "notarial" da Igreja e satisfazendo mal ou "diagonalmente" o registo o civil ou administrativo. Sendo cada pároco, na sua respectiva paróquia, ao mesmo tempo o conservador e o "escrivão" desse notário; sendo "suas" as regras de assento ou registo, os livros paroquiais revelam bem quer as variações de humor quer de ideologia social do "escrivão-conservador", além de ao longo de um mesmo livro de assentos serem bem visíveis as mudanças de pároco e "ideologia".

Variando ainda este "notário" com o meio ou região e a maior ou menor importância social de cada sobrenome em cada específico local, os Serzedello, tal como aconteceu com muitos outros, foram mantendo ou "deixando cair" o sobrenome: Em Lisboa e no Brasil manteve-se até hoje, apenas se perdendo nos casos em que os casamentos (e a lotaria/predominância de sobrenomes dos nubentes) vai atribuindo outros apelidos aos descendentes, como será o caso dos descendentes do ramo Serzedello-Pressler, por exemplo. No norte de Portugal (Póvoa de Lanhoso ou Amares e Braga) são ainda os próprios indivíduos ou o padre (ou ambos) que o "deixam cair" em vida. O caso mais significativo pode ser compilado nos sucessivos assentos paroquiais, da família de José Joaquim Barbosa Serzedello (Amares, Portugal): nascido e baptizado Barbosa Serzedello, irmão mais velho de Bento José Barbosa Serzedello, depois de ter estado até por volta de 1865 no Brasil, onde esteve estabelecido como negociante, regressou a Portugal viúvo,  (tinha casado com uma prima igualmente Serzedello, enviuvou muito cedo e com 33 anos regressou a Amares), tendo voltado a casar. No assento deste seu casamento com Olívia Vieira da Cunha, efectuado em Amares, mantêm-se os apelidos Barboza Serzedello, assim como se mantêm nos assentos de nascimento dos seus primeiros filhos, António José, Elvira Cândida e José Joaquim. Mas do quarto filho em diante o seu nome completo passa a ser escriturado como José Joaquim Barbosa (orque dse deixa caior o Serzedello?). De adultos, os seus filhos assumem como nome completo Fulano Vieira (da mãe) Barbosa (do pai). Mas e tal como já tinha acontecido nas gerações dos seus pais e avós, quase todos foram para o Brasil onde se radicaram e aí chegados recuperaram imediatamente o apelido Serzedello porque integravam uma uma vasta família conhecida e respeitada sob esse sobrenome (já vimos que no início de 900 eram já centenas os Serzedello estabelecidos no Brasil, para onde foram, senão mais cedo, logo nas primeiras décadas de 800). É o caso  - entre outros - de Arthur Vieira Barbosa (Serzedello), nascido em 1879, sétimo filho na ordem de nascimento e que tendo ido para o Rio de Janeiro onde se estabeleceu com a Farmácia Moderna (farmácia e artigos hospitalares), nos planos civil, comercial, e administrativo passou a ser Arthur Vieira Barbosa Serzedello, com toda a legitimidade, dado ser esse o apelido paterno. Em 1909 nasceu a sua única filha Antónia Amélia, cuja certidão identifica (3ª Circunscrição do Registo Civil) como Antónia Amélia Barbosa (volta a ser omisso o apelido Serzedello). Tendo esta, apesar da nacionalidade Brasileira, vindo para Portugal após a morte dos pais, casou, viveu e faleceu cá, ninguém mais na sua linha de descendência (uma filha e seis netos) teve o apelido Serzedello (Serzedelo, após o acordo ortográfico da 1ª República).



sábado, 12 de dezembro de 2009

Os primeiros Serzedello em Lisboa (~1750)

Já viveriam Serzedellos em Lisboa à data do Terramorro de 1755.


Os primeiros "emigrantes" Serzedello em Lisboa são do Couto de Serzedello (hoje freguesia de Serzedelo, Concelho da Póvoa de Lanhoso, Norte de Portugal) e são filhos de Josefa Pereira (1685-1769) casada com José Alvares, bem como netos seus  - como é o caso de filhos de Domingos Pereira (1711-1770), casado com Rosa Maria Vieira Carvallha - e poderão ter aí chegado em meados de 700 [1]. 

Com efeito, no registo de óbitos de 1768 (pag 64) de São Pedro de Serzedelo consta o seguinte assento: "Aos vinte e quatro dias do mês de junho do ano de mil setecentos e sessenta e oito chegou notícia de que faleceu na cidade de lisboa Domingos José Pereira, filho de Domingos Pereira e de sua mulher Rosa Carvalha do lugar de Cimo de Villa desta freguesia de Sam Pedro de Serzedello, o qual faleceu aos dois dias do sobredito mês (...) foi sepultado na Igreja de São Paulo da mesma cidade de Lisboa". Domingos José, o 5º filho na ordem de nascimento, nascera em 6 de Março de 1753, faleceu solteiro e com a idade de 15 anos na paróquia de São Paulo (em Lisboa), onde mais de 100 anos depois ainda há assentos de nascimentos, casamentos e óbitos de Serzedellos.



Durante quase três séculos, a residência ou casa de família originária dos Serzedello é a do Lugar de Cimo de Villa, o apelido (ou sobrenome) Pereira é o dominante pelo menos desde 600, quer seja das mães, quer seja dos pais, mas não é ainda possível perceber quando e porque razões acrescentaram ou converteram o apelido Serzedello que surge no nome de vários destes "Pereiras"  - e ainda de seus primos Vieiras - ainda no séc. XVIII. 


[1] a fazer fé em alguns registos de hemeroteca ainda por estudar e validar, poderão ter chegado ao Brasil pela mesma altura, em meados do séc. XVIII...


(cont)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Serzedellos (e Cerzedellos) no Brasil Séc.XVIII, XIX e XX

Ao longo da segunda metade do séc. XIX os Serzedellos no Brasil começam a aumentar a um ritmo deveras vertiginoso, quase decuplicando a cada década. Por um lado, chegavam ao Brasil cada vez mais subditos portugueses Serzedello e por outro já nasciam Serzedellos no Brasil, naturalmente.

No último cartel do séc. XIX as conjugações de apelidos/sobrenomes já são muitas e variadas. Por outro havia descendentes que perdiam o apelido por predominância de um outro. Ver, por exemplo, estes Links:

(ao lado, recorte da biografia "oferecida" ao general e cuja beleza gráfica é de suster a respiração)



Não sendo esta recolha de informação sobre os Serzedello, nem uma coisa aturada (ou exaustiva e sistematizada), nem profissional, este é o momento para que com todos aqueles a quem o assunto toque, os que se sintam aserzedeledados,  "colectivamente" se procure esclarecer se todos estes Serzedello são parentes e têm a mesma origem.

Exemplos: Randolfo Pereira Serzedello, médico, foi delegado de saúde no Paraná na mesma altura em que Inocêncio Serzedello Corrêa era o Governador. São primos "carnais" e uma fonte hemerotecária dá mesmo notícia de "Serzedello Corrêa chamou seu primo Randolfo Pereira Serzedello para se ocupar dos assuntos de saúde pública no Paraná".

Passam já (quase) 250 anos sobre o nascimento da mulher que poderá ter sido a primeira Pereira Serzedello assim chamada e 200 sobre as primeiras incursões dos Pereira Serzedello no Brasil. Ainda durante o século XIX já são, como se disse, muitas as conjugações de apelidos, designadamente, Pereira Serzedello, Barboza Serzedello, Vieira Serzedello, Serzedello Pressler, Serzedello Corrêa (a que, mais recentemente, se acrescentou o apelido Santoro), Serzedello Almeida, Serzedello Netto e Netto Costa,. etc.
Mais tarde, nas lutas do General Serzedello Corrêa (o sobrenome pelo lado materno, Dª Carolina Serzedello) pela República, uma das suas manifestações públicas e a saída foi na Rua do Ouvidor, Rua dos Serzedellos no Rio (RJ). Coincidência, apenas, ou porque estavam ali muitos dos seus familiares e, porventura, apoiantes?...

ABS

sábado, 10 de outubro de 2009

Os "Pereira Serzedello" no Brasil do Séc XIX - II "A Rever"


Os historiadores dão hoje por líquido e claro que D. João VI queria mesmo, e desde havia muito, instalar a Corte no Brasil. As invasões napoleónics terão sido mais o pretexto que o motivo. De resto, D. João VI levou, de facto, o mais que pode dos seus pertences, pessoais ou régios. Contudo, as atribulações pós revolução liberal provocadas sob o beneplácito do seu filho D. Miguel contraiaram-lhe os intentos, e ei-lo que regressa a Portugal, onde tenta pacificar os golpes miguelistas substituindo a Constituição de 1822, aprovada no desenvolvimento da revolução liberal de 24 de Agosto de 1820, por uma Carta Constitucional por si outorgada logo à chegada.

Enquanto que por cá as atribulações não terminariam tão cedo, uma Vilafrancada seguida de uma Abrilada e o infante D. Miguel a tentar reinstalar o absolutismo régio em Portugal, depois a Revolução de Setembro para tentar repor em vigor a constituição de 22, a tensão entre absolutoiistas e liberais, entre Cartistas (os partidários da Carta Constitucional de 26) e Setembristas (os partidários da Constituição de 22), etc.. D. Pedro, logo após o regresso de sei pai, aproveita para concretizar essa Nova Corte mas numa versão com algumas alterações, proclama a independência do "Império do Brasil" e fez-se o seu I Imperador. 

Com a Corte, logo na primeira década de 800, foram muitos súbditos portugueses, desde logo nobres e fidalgos, homens de negócios, povo em geral, e continuariam a ir, e a ir e vir, mesmo após a proclamação da Independência e do Império do Brasil. 

Os Pereira Serzedello, homes de negócios logo nas primeiras décadas de 800, constitucionalistas e Setembristas (liberais e partidários de D. Pedro) se não foram na primeira década de 800, terão ido, seguramente, logo nas seguintes. Nas hemerotecas encontram-se referências aso Pereira Serzedelo no Brasil na segunda década de oitocentos...

Enquanto não surgem outras fontes e outros documentos que disso dêm testemunho, pelo menos o
ALMANAK ADMINISTRATIVO, MERCANTIL E INDUSTRIAL DO RIO DE JANEIRO PARA 1853 Epublicado no rio de Janeiro de 1853 dá notícia dos seguintes Serzedello:
...

134 MINISTÉRIO DOS ESTRANGEIROS

Félix José Pereira Serzedello, Vice-Consul.
134 MINISTÉRIO DS ESTRAGEIRO
Rio Grande do Sul, João António de Carvalho Serzedello, £6, Vice-Consul

MUNICIPALIDADE.
13. António Pereira Serzedello, r. do Ouvidor, 40.
322 ACADEMIAS, COMPANHIAS
Subscripção para o Hospital da Sociedade Portugueza de Beneficência.
SOCIEDADES, INSTITUTOS, ETC.
António Luiz Pereira Serzedello
……………………………………………..…

Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Candelária.

Provedor. Manoel António Airosa, >}< 2.

Escrivão. Joaé Francisco da Costa.

Thesoureiro. Domingos Lourenço Gomes de Carvalho.

Procurador, João dos Santos Teixeira.

NEGOClANTES. 419

Mesarios:;
António Pereira Serzcdelo.

Serzedello, júnior & C., consignatários de importarão e exportação,
r. das Violas, 10*

Serzedello Júnior & C, por atacado e a varejo, r. das Violas, 10.

João António Serzedello & Filhos, r. do Ouvidor, 60.

João Pereira Serzedello, r. de S. Pedro, 18.

Joaquim Vieira da Cunha, r. do Sabão, 11. ???
João António Serzedello & Filhos, r. do Ouvidor, 40,
João António Scrzedello & Filhos, r. d'Ouvidor, 40.

João Pereira Serzedello, r, de S. Pedro, 18. . .
João Antonio Serzedello & filhos, R. Ouvidor 40


REGlSTO GERAL DOS NEGOCIANTES,

Serzedello, S. Pedro 18.

Serzedello & Filhos, Ouvidor 40.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Serzedellos - Negócios, modo de vida

Ao longo de todo o séc. XIX e ainda início do séc. XX há um negócio que é o modo de vida da esmagadora maioria dos indivíduois Serzedello, em Portugal como no Brasil: Drogas/Drogaria, Químicos e Farmacêutica.

O primeiro "negociante" do ramo terá sido João António Pereira Serzedello ("João António Pereira Serzedello & Cia") na primeira ou segunda década de 800, mas no início da terceira década chamou para junto de si os seus sobrinhos que viriam entretanto a criar a "Serzedello & Cia" que tendo começado por importar/distribuir, nos anos 40 do séc. XIX constitui-se no que viria a ser o maior laboratório químico-farmacêutico do séc. XIX (artigo de Isabel Cruz, Profª de História e Filosofia das Ciencias na UNL - link).  

Não conhecemos ainda como ou porque "acabou" a Serzedello & Cia, mas sabemos que atingiu expoente máximo quer enquanto negócio, quer em termos de tecnologia e inovação. Esteve presente nas principais Exposições Universais (Londres 1851, Paris 1850 e 1855, Filadelfia em 1876), tendo deixado um vasto rasto de referências na mais variada documentação.

Ainda nos anos 20 do séc. XIX outro negociante do ramo é dado a conhecer na praça lisboeta, José Bento Vieira Serzedello, mimetizando depois este negócio no Rio de Janeiro outros "primos" Serzedello que para aí foram emigrando com o apoio da família, sendo de admitir que tenham espandido esse mesmo negócio a outros lugares do Brasil. Dos Serzedello estabelecidos no Rio já falamos em post anterior, dos estabelecidos noutras cidades ou estados não temos ainda informação.
Mas ainda no início do séc. XX - e, seguramente, funcionando os Serzedello já estabelecidos como um IAPMEI informal e ad-hoc - havia Serzedellos a emigrar para se estabelecerem no Brasil, como é o caso de Arthur Vieira Barboza Serzedello, farmacêutico, que no início do séc. se estabeleceu na Rua Senhor dos Passos, 176 com uma farmácia, a "Farmácia Moderna de A. Barboza", completando o escopo comercial com a venda de material hospitalar.

ABS

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Serzedello & Cª - Laboratório Fábrica

Serzedello & Companhia - Laboratório Fábrica de produtos químicos e farmacêuticos,
com laboratório fábrica na Margueira e depósito no Largo do Corpo Santo, nº 7 em Lisboa.

(Documento do acervo de Carlos Antº Serzedelo Palhares - Lx)
Fundada na segunda década do séc XIX numa associação de duas gerações Pereira Serzedello (o tio João António e os sobrinhos António Joaquim, António José e José António, a partir de 1 de Março de 1822 ficou pertença apenas dos irmãos, assim referidos ao longo do séc. XIX (os "Irmãos Serzedelo" ou os "Srs. Serzedello").

A Serzedello & Companhia começou por ter apenas o depósito na Rua do Corpo Santo, onde fazia o seu comércio (incluindo de e para o Brasil) e onde a preparação química seria uma componente residual. Foi a partir da aquisição da Fábrica da Margueira, nos anos 40 do séc. XIX que viria a sofrer um extraordinário impulso de crescimento, tendo estado na primeira linha da tecnologia e como presença referenciada nas grandes exposições universais como a de Paris em 1850, Londres em 1855, Filadélfia em 1872, etc. onde recebeu distinções e honrosas menções aos seus produtos.

Tendo laborado praticamente ao século XX, nela operaram 4 ou 5 gerações da família Serzedello, incluindo cunhados e outros familiares cooptados que aí viriam a desempenhar cargos de preparadores químicos e direcção fabril, além de da mesma saírem alguns dos assistentes (preparadores químicos) da Escola Politécnica de Lisboa, conforme estudo desenvolvido e muito bem suportado pela Sra Professora Isabel Neves Cruz, professora de História e Filosofia das Ciências na Universidade Nova de Lisboa[1].             Barca Isabel - 1851

No início da segunda metade do séc. XIX e quando não havia outro meio de transporte senão o marítimo, além da Serzedello & Companhia fazer transportes de e para os principais portos europeus e brasileiros, está igualmente presente com os seus produtos em exposições longínquas, como (e não considerando a de Paris de 1855) será o caso da de Londres  em 1850 e a de Filadélfia em 1876. Contudo, a Serzedello & Companhia respondeu a esta necessidade de transportes chamando a si quer a logística quer o transporte propriamente dito e criando a sua própria frota mercante. De resto, logo no início da segunda metade do séc. XIX os "Srs Serzedello" têm em construção do outro lado do Tejo dois brigues, o "Isabel" e o "Infante", para continuar a assegurar a sua completa autonomia de entrega e recolha de matérias-primas e mercadorias.

Concomitantemente, e numa altura em que a organização do correio internacional era ainda muito rudimentar, pelo facto de disporem de frota marítima própria desempenharam igualmente o papel de Agentes Encaminhadores Postais, sendo hoje uma das entidades referidas na filatelia no capítulo dos "forward" e da época "pré-adesiva".

Artigo d'A Filatelia Portuguesa:
http://www.filatelicamente.online.pt/r101/artigo_html/revista101_1.html

Em duas linhas de resumo, os "Irmãos de Serzedello" e a "Serzedello & Companhia" são - em paralelo com os seus pares de então, precursores de duas das principais indústrias que já conhecemos no séc. XIX do outro lado do Tejo, a Indústria Química (que viria a ter na CUF o seu grande expoente) e a Indústria Naval.

Abs

Serzedello em Lisboa, as primeiras gerações de 800


João António Pereira Serzedello

nascº em Cimo de Villa, Couto de Serzedello em 1762, filho de Domingos Pereira (Serzedello) e de Rosa Maria Carvalho, neto de José Álvares e Josepha Pereira (Serzedello); irmão (entre outros/as) de Maria Josefa Pereira Serzedello, a mãe dos 3 jovens da segunda geração de 800, o António José, o António Joaquim e o José António Pereira Serzedello e ainda de sua mulher Maria Luiza Pereira Serzedello.

José Bento Vieira Serzedello 
De facto,ambém no início do séc. XIX aparece estabelecido em Lisboa este indivíduo
que poderá ser primo de João António e Maria Josefa Pereira Serzedello.

Assim, são estes (e ainda não todos) os Pereira Serzedello da primeira e segunda gerações em Lisboa no séc. XIX:
           
1ª - João António Pereira Serzedello (entre 1810 e 1820)

Links:

1.                                GeneAll.net - João António Pereira Serzedelo
GENLIS-Cap.-Serzedelo. João António Pereira Serzedelo. Casamentos. Maria Luisa. Filhos. Maria do Carmo Pereira João António Vieira Serzedelo ...www.geneall.net/P/per_page.php?id=509015 - Em cache
2.                                GeneAll.net - Serzedelo - Serzedello
1875; Ida Celeste Neto Pereira Serzedelo · João António Pereira Serzedelo ...www.geneall.net/P/fam_names.php?id=4139 - Em cache - Semelhante
3.                                GeneAll.net - Maria do Carmo Pereira
GENLIS-Cap.-Serzedelo. Maria do Carmo Pereira. Pais. Pai: João António ...www.geneall.net/P/per_page.php?id=509012 - Em cache

1.                                Gazeta de Lisboa - Resultado da pesquisa de livros do Google
1824 - History
Tio João António Pereira Serzedello- Quem quizer emprestar 400/000 réis a juro, dando- se-lhe por hypotheca, hum prédio, que está avaliado em 1:600/000 réis ...
books.google.pt/books?id=XREwAAAAYAAJ...
2.                                Diário do governo - Resultado da pesquisa de livros do Google
1822 - History
João Antonio Pereira Serzedello e Companhia. — Joaquim Antonio Pereira. — Desembargador , João de Carvalho Martins da Silva Ferrão. ...
books.google.pt/books?id=oO8vAAAAYAAJ...
3.                                Correio do Porto - Resultado da pesquisa de livros do Google
1822 - History
Joao Antonio Pereira Serzedello e Сл *; Joaquim Antonio Pereira. Dez. Joäo de Carvalho Martins da Silva Ferrao. Manoel Antonio Alves Costa. ...
books.google.pt/books?id=QuMKAQAAIAAJ...

Ter-se-á estabelecido em Lisboa no início de 800 com negócio de “Drogas e Tintas” (ao longo dos 100 anos seguintes, viriam a ser mais de 100 os Serzedello ligados a “drogarias, , química e farmácia, tanto em Portugal como no Brasil, parecendo (e apenas isso) que este “tio” terá sido o precursor e promotor dessa expansão, apoiando vários sobrinhos que, depois, apoiam os familiares seguintes.

Tem o seu estabelecimento de importação e venda “drogas e químicos” João António Pereira Serzedello & Companhia no Largo do Corpo Santo em Lisboa.

É referido na Gazeta de Lisboa em 1822  (GL 1922 01 pdf) como um dos accionistas (outras fontes dão-no como co-fundador) do Banco de Lisboa (que viria a falir em 1876, no seio de uma crise que deu azo à criação da Caixa Geral de Depósitos);
a investigar: se o António José Barbosa que aparece na mesma listagem é o seu cunhado ou sobrinho (casado com a Marianna Cândida da Conceição Pereira Serzedello).

Não há dúvida de que o João Pereira apoiou os sobrinhos, dando-lhes sociedade no seu negócio e criando com eles outra empresa que viria a durar quase um século, a Serzedello & Cia, mas em 1824 já estavam desavindos e até com pleitos em Tribunal (GL 213, 225, 226 de 9, 23 e 24 Set 1824), vindo a Serzedello e Cia – que durou pelo menos até ao início do séc. XX a ficar de posse dos sobrinhos; são estes
(a geração seguinte), além de Maria Luiza Barboza Serzedello (que casou com o seu tio João António)

1 - António Joaquim Pereira Serzedello,
foi militar, chegou ao posto de capitão, tendo depois começado a sua vida de empresário

2 - José António Pereira Serzedello
foi militar, chegou ao posto de capitão, tendo depois começado a sua vida de empresário: teve um filho com o mesmo nome + júnior;

3 - António José Pereira Serzedello
foi também militar, chegou ao posto de capitão, tendo depois começado a sua vida de empresário: teve um filho com o mesmo nome + júnior;

Sobre a Serzedello & Cia há muita informação até quase ao início do séc. XX (a ver mais tarde)
(Cont.)
Abs